No momento, você está visualizando Testemunho de libertaçao – O milagre no dia a dia.

Recebi a missão de todos os dias do festejo de Santa Teresinha na minha Paróquia ler um testemunho, a primeira coisa que veio ao meu coração foi: eu preciso dar o meu testemunho. Só que, no fundo, eu achava que a minha graça tinha sido atendida apenas pela metade.

Em 2025, pela primeira vez na minha vida, eu consegui realizar um desejo que eu sempre me cobrei muito como católica: fazer a Novena de Santa Teresinha junto com meu esposo e meus filhos, faziamos as novenas todos os dias, antes de sair de casa para o trabalho e eles para a escola. Foi ali, naquele pequeno altar da nossa sala, que tudo começou.

Fizemos aquela novena, por uma causa minha que quase poquísimas pessoas sabiam. Eu estava vivendo um momento de ansiedade profunda, já caminhando para uma depressão. Eu ja estava fazendo acompanhamento psiquiátrico e psicológico por conta de tudo isso.

E a causa de tudo isso era o meu próprio trabalho. Eu gostava do salário, dos benefícios, mas o meu coração sangrava todos os dias, porque eu não concordava com muitos temas que aquela organização defendia e dizia apoiar. Um deles era o aborto, algo que fere diretamente a minha fé.

Até que em agosto aconteceu aquilo que eu mais temia. Por causa das minhas atribuições, eu teria que ir até a casa de uma adolescente para dizer a ela, com a minha própria boca, que a organização estava ali para apoiá-la caso ela quisesse abortar o seu filho. Durante todo o trajeto até a casa daquela menina, eu fui rezando sem parar e, juro para vocês, eu desejei que aquele carro virasse, desejei morrer para não ter que dizer aquilo. E aquela foi apenas uma das inúmeras coisas que eu tinha que fazer ali, sabendo que no final seríamos apenas números para aquela ONG e que nada de fato seria resolvido.

Eu fiz a novena pedindo uma luz, uma resposta de Santa Teresinha. Porque ao mesmo tempo que eu não aguentava mais ficar naquele lugar, eu não tinha coragem de pedir demissão. Eu tinha medo de perder meus direitos, medo de ficar desempregada, medo de faltar algo para os meus filhos.

Naquele ano, meu filho me deu uma rosa de plástico que fazia parte da decoração do patio. Eu segurei aquela rosa e pensei: “Será, Santa Teresinha? Será que é este o sinal de que serei atendida?”. Os dias e os meses foram passando e o silêncio continuava.

Até que em maio de 2026, eu fui desligada.

E o que parecia ser o fim, foi na verdade o começo do meu milagre.

Em apenas uma semana eu já era outra mulher. Aquela pessoa que não dormia à noite, que acordava de madrugada chorando, gritando, tendo pesadelos, aquela que carregava uma dor de cabeça infinita que só passava nos finais de semana quando eu não precisava trabalhar… aquela mulher simplesmente deixou de existir.

O meu sorriso voltou. A minha paz voltou. A minha vontade de viver voltou ainda mais forte.

E onde está o milagre nisso tudo?

O meu milagre não veio com barulho. Ele não veio como eu imaginei e nem na hora que eu queria. Eu aprendi que nem sempre vamos receber uma rosa para confirmar que a graça foi alcançada.

O meu milagre está aqui, no dia a dia, no cotidiano, na minha família.

O milagre está em eu poder acordar e organizar a minha vida e a vida da minha família. Está em poder ajudar os meus, em preparar o café dos meus filhos com calma, em rezar com eles sem pressa, em ter tempo para amar e cuidar dos que eu amo. Está em ter saído de um lugar que me fazia mais mal do que bem, apesar de todo o recurso financeiro.

Lendo todos esses testemunhos, ouvindo essas histórias de fé durante o festejo, eu entendi: o meu milagre foi ter a minha família de volta e ter conseguido fazer a novena pela segunda vez consecutiva, todos juntos, de mãos dadas.

Este ano, fiz a novena não mais por mim, mas pelas intenções de outras pessoas. E eu tenho certeza no meu coração de que todas essas graças serão alcançadas, porque desta vez, no dia 27, eu recebi a minha rosa. E ela era de verdade.

Obrigada, Santa Teresinha.

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